quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mentoria e orientação espiritual


1.0 INTRODUÇÃO

O termo mentor remete à Grécia Antiga e ao seu legado histórico-cultural. O propósito da tradição grega, da vida orientada por um mentor era o de moldar socialmente todo o caráter de apenas uns poucos privilegiados – moral, intelectual e socialmente, e seu objetivo o de refletir o divino, num egocentrismo enaltecido, para lembrar aos meros mortais de sua origem divina.[1]

Pensaremos no mentor como aquele que acompanha ou guia na orientação. “A experiência original da orientação é o Oriente: o sol nascente, pelo qual quem procura situar-se, encontrar sentido, pode localizar-se em relação a um horizonte espacial e temporal”[2]. Observa-se que “etimologicamente, encontrar o sentido é encontrar o caminho, a direção, os pontos de referência que permitem que a gente se oriente. Quando se fala de 'orientação espiritual', é isso que está por trás”.[3]

Nota-se que a pessoa que procura “situar-se” não é passiva, mas atuante, trata-se de alguém que quer envolver-se na relação de mentoria, que é justamente o “processo de 'outrar', isto é, aprender a valorizar a riqueza educacional que os outros nos trazem e também as habilidades sociais que eles nos ajudam a desenvolver”[4].

Observamos que quando alguém se torna cristão, estabelece-se aí o tempo/espaço oportunos para a orientação ou reorientação, uma vez que se propõe um novo caminho. Porém muitas pessoas ao se tornarem cristãs, e mais especificamente membros das igrejas evangélicas brasileiras são recepcionadas e encontram diante de si muitas atividades, muitos programas, envolvendo-se de tal maneira nessa estrutura que podem passar a desenvolver uma religião irrefletida, superficial.

Observamos também que essa recepção e acompanhamento às vezes ocorre por um curto período de tempo, e sem o devido aprofundamento, algo distante e frio, mesmo por parte de um discipulador mais próximo, quando esse existe. 

Refletir a respeito da falta dessas relações mais profundas, e por consequência sobre a falta de acompanhamento adequado no seio da igreja evangélica brasileira, nos leva a pensar sobre a mentoria e orientação, e em como essas ações poderiam contribuir para formar a espiritualidade dos cristãos evangélicos brasileiros.

Dessa maneira, é possível que a mentoria dê auxílio ao indíviduo no percurso da orientação, ajudando-o a ser uma “pessoa espiritual, que precisamente por ter-se encontrado com o Deus-Amor, é a menos alienada, mais comprometida com os homens e com os valores do Reino”[5]. Esta pessoa carrega em si “vitalidade como o amor à vida”,[6] capacidade para sair para a missão, de desprender-se de si e doar-se, e a certeza de que isso é possível a pessoas comuns.

Em encontros de Jovens Com Uma Missão[7] Brasil é comum se ouvir falar em “orfandade espiritual”. Isto se dá pela carência de referenciais, talvez principalmente para a nossa geração. Parece não haver em quem confiar, parece não haver quem possa oferecer orientação, apoio. Observamos que é assim que muitos de nós se sente nas igrejas. 

Nesse sentido, observamos que não existe muitos mentores em nosso meio e mesmo quando existe, parece que eles carecem de correção com relação a que se orientam e a que guiará aquelas pessoas a quem acompanham. Percebe-se que “alguns mentores (...) no contexto da fé cristã podem, ainda assim, ser intensamente individualistas porque ainda não discerniram a influência cultural falsa que herdaram”[8]

Aquele que acompanha na relação de mentoreamento traz em si o legado de sua cultura, passando muitas vezes desapercebido com relação a alguns valores que está transmitindo. Esquece-se que trabalha com um referencial supra cultural, que deve guiar ao ponto de orientação que é Jesus Cristo. 

Soma-se a isso o fato de que somente dar informações não forma o indivíduo, ao que nos deparamos com uma espiritualidade superficial, crescente individualismo, alienação, dentre outros. Nota-se que temos falhado numa “expectativa ingênua de que a maioria das pessoas seria moralmente transformada como consequência da iluminação doutrinária”[9].

Tal expectativa está presente em nossa expressão religiosa devido àquilo que se ensina, ou seja, a Palavra de Deus. Porém, em muito esse ensino vem separado do desafio do exemplo, da encarnação da verdade, dos princípios expostos por Jesus Cristo nas Escrituras.

Muito da expressão religiosa não será dinâmica e vital e muito provavelmente não levará o indivíduo a desenvolver sua espiritualidade, pois este não encontra relações interpessoais que o levem a isso, que o desafiem, no seio da igreja.

Ao se pensar em espiritualidade nos deparamos com um tema que será inevitável assunto no acompanhamento, uma vez que este é essencialmente espiritual. Jürgen Moltmann fala a respeito desse assunto a partir de seu significado literal, ou seja, desenvolver-se espiritualmente é desenvolver-se com Deus diariamente. 

Essa compreensão que espiritualidade dá-se em vivência diária, num espaço para uma vida criativa na qual sejamos atuantes, relaciona-se estreitamente ao senso de missão, por causa do ponto para o qual somos orientados como cristãos.

Diante do que fora exposto, questiona-se: o estabelecimento de uma relação de mentoreamento e orientação espiritual contribui para a formação de discípulos com maior nível de espiritualidade e convicção de missão?

Portanto, o estudo a respeito da mentoria e orientação espiritual justificam-se pelas seguintes razões: Primeiro, pelo fato de muitas pessoas sentirem-se “desnorteadas”, “sem sentido”, carentes de orientação, de uma atenção personalizada no discipulado ou no mentoreamento. Não temos observado uma preocupação com uma orientação espiritual mais efetiva em nossas igrejas. 

Uma segunda razão encontra-se em nossa jornada pessoal, pois trata-se de uma carência percebida em nossa experiência de aproximadamente oito anos de fé cristã evangélica. 

Nesse período quatro pastores passaram pela igreja à qual somos filiados, e somente um deles deu um pouco mais de atenção a acompanhar-nos, ao indicar um seminário para estudarmos e ter algumas poucas conversas conosco.

Não se estabeleceu diretoria alguma na igreja durante esses anos que se ocupasse com a tarefa do acompanhamento de alguma forma. Observamos que não existe a visão de desenvolvimento integral de um futuro ministro e diga-se, mesmo se este já estiver devidamente engajado no serviço.

Trata-se de um assunto delicado, pois o missionário embora desenvolva suas atividades em prol do reino de Deus, está vinculado a uma igreja local. Se esta pessoa que é preciosa segundo o ensinamento bíblico não recebe a devida orientação em sua jornada, dificilmente haverá um relacionamento de qualidade, de orientação com um membro comum da igreja, ou seja, alguém que não esteja aparecendo, atuando efetivamente junto à igreja. 

A terceira razão está relacionada à escassez de material em língua portuguesa a respeito especificamente de mentoria e orientação no meio cristão. Encontramos alguma bibliografia no site do Ministério de apoio a pastores e igrejas (MAPI) que pesquisa o tema e procura desenvolver esse trabalho de cuidado com os líderes evangélicos e com suas famílias já há algum tempo, mas utilizamos essencialmente como referencial teórico o livro do Dr. James M. Houston. Mentoria espiritual: o desafio de transformar indíviduos em pessoas, Sepal, 2003; e também a obra escrita pelo jesuíta Dr. Ulpiano Vázquez Moro. A orientação espiritual: mistagogia e teografia. Edições Loyola, 2001.

Estabelece-se como hipótese que havendo o estabelecimento da mentoria e orientação como ferramentas para o cumprimento da missão da igreja, no sentido em que amamos e nos relacionamos com o outro, sendo efetivamente parte de um corpo, de um organismo vivo e dinâmico, serão formados discípulos mais experimentados e com um maior nível de espiritualidade e conseqüentemente convicção e prática de missão.

Diante disso, propomos como objetivo geral demonstrar a necessidade do estabelecimento de relações de mentoria e orientação nas igrejas evangélicas brasileiras. Para que se possa alcançar o objetivo geral, deverão ser atingidos determinados objetivos específicos, quais sejam:

·         Relacionar o legado histórico cultural da mentoria ao modelo de ensino exemplificado por Jesus Cristo nas Escrituras;
·         Descrever algumas características necessárias para oferecer e receber mentoria e orientação;
·         Escrever a respeito da mentoria e orientação espiritual, relacionando-a à eclesiologia e ao treinamento e acompanhamento missionário.

Utilizou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica, onde foram consultados livros e periódicos com artigos sobre o tema proposto e, após seleção do material que serviu de suporte para a comprovação da hipótese apresentada, tais informações foram sistematizadas em um referêncial teórico e alicerçado neste último, será apresentada uma conclusão final obtida como fruto da leitura analítica do material bibliográfico.

No primeiro capítulo indicamos algumas obras que dão uma boa contribuição a respeito da abordagem histórica da mentoria, bem como expomos algumas algumas de nossas características como sociedade atual. Com essa trajetória pretendemos demonstrar a importância do resgate da mentoria, a qual podemos observar no passado, para tratar do desenvolvimento integral da pessoa hoje.

No segundo capítulo a ênfase recai sobre a necessidade de se construir uma conceituação teórico-teológica a respeito da mentoria e orientação espiritual. Com esse alicerce estabelecido pensaremos também nesse capítulo a respeito de algumas características essenciais tanto para o orientador quanto para o orientando.

No terceiro capítulo escrevemos a respeito da utilização da ferramenta de mentoria a partir duma perspectiva eclesiologica e missiologica, de maneira que através desse recurso seja possível investir tanto na formação adequada, como no acompanhamento durante a carreira do discípulo de Jesus Cristo. 

[1]     Cf. HOUSTON, James. E. Mentoria espiritual: o desafio de transformar indivíduos em pessoas. São Paulo: Sepal, 2003, p. 31.
[2]     Cf. MORO, Ulpiano V. A orientação espiritual: mistagogia e teografia. São Paulo: Edições Loyola, 2001, p. 8.
[3]     Cf. Ibid, p. 9, 2001.
[4]    Cf. HOUSTON, p. 10, 2003.
[5]    Cf. Moro, p. 84, 2001.
[6]     Cf. Ibid, p. 89.
[7]     Jovens Com Uma Missão. Agência missionária internacional e interdenominacional fundada na década de 60 nos EUA.
[8]    Cf. HOUSTON, p. 13, 2003.
[9]     Apud Houston, p. 62, 2003, citando Steven Ozment, The Age of Reform 1250-1550 (A Era da Reforma 1250-1550); New Haven and London, Yale University Press, 1980, p. 137.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Mentoria e orientação espiritual: uma vida em construção


A partir de hoje, publicarei no blog Pilares e Pérolas, duas ou três vezes por semana, trechos sequenciados de meu livro, ou do projeto do que será o meu livro.

Peço a você, que se interesse pelo tema, que deem sua opinião. O seu retorno, quer positivo ou negativo, será de grande valor, para essa construção.

Trata-se de um tema que envolve amizade, que envolve troca, e por esse motivo, creio que fazer isso dessa forma é uma boa idéia.

A obra de nossas mão tem início em nossos corações, e sendo assim, o primeiro post é minha

Dedicatória:

Ao Espírito Santo, nosso mentor por excelência, o Deus de nossa intimidade. 

À minha amada, Adriana, que compartilha comigo de sua vida e propicia um mútuo mentoreamento.

Às minhas filhas, Pilar e Pérola. Como pai, espero lhes dar a orientação adequada.

Aos professores e professoras do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, mas de maneira especial àqueles que foram além das salas de aula e se tornaram mentores num momento especial de nossas vidas, Pr. Marlesson Rêgo e Pr. Alfrêdo Oliveira.

Ao amigo David Dziuba, com quem tivemos um tempo precioso de mentoria e orientação, e aos amigos da Comunidade Cristã Vineyard Recife, família na qual nos econtramos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Comunidade e missão


Vimos em At. 13.1-12 igrejas formadas com a presença dos dons, uma liderança partilhada, ou aquilo que hoje chamaríamos de pastoreio colegiado.

Vimos a presença mais especificamente dos dons de pastores e mestres, aos menos cinco pessoas formamvam a liderança da nascente igreja de Antioquia.

Em meio a uma reunição litúrgica com jejum, destacamos alguns princípios para a nossa busca:
  • Buscamos a Deus juntos;
  • Buscamos ouvir a Deus;
  • Buscamos objetivamente;
  • Recebemos orientação;
  • Recebemos capacitação para fazer o trabalho para o qual fomos chamados.
É possível perceber claramente que a liderança autorizou os separados, Barnabé e Saulo, conforme orientação do Espírito Santo.

Percebe-se que a obra no reino de Deus deverá ser realizada com o poder de Deus, a partir duma comunicação efetiva com o Senhor.

Na segunda parte do texto, vimos o confronto de Paulo com o mago Elimas.

Enfatizamos o fato de sermos contrários à prática da magia, e que através da magia, objetiva-se:
  • A manipulação da realidade;
  • A manipulação dos homens;
  • A tentativa de alienação do homem de Deus, oferendo a ele a possibilidade de manipular o sagrado;
  • Ações diabólicas extremamente objetivas, tais como falsidade, malícia, inmizade de toda justiça.
Ressalta-se que os que tais coisas cometem receberão a devida recompensa.

Por fim, focalizemos em nossas vidas a necessidade de equidade, de equilibrio entre nossa exposição e nosso testemunho, para que tenhamos crédito e que pessoas se convertam a Jesus Cristo.

Permitamos que o Espírito Santo nos use.

Vem Espírito Santo!

Pedro se despede em Atos, legando-nos sábias práticas


A seção termina com o relato do livramento milagroso de Pedro da prisão (12.1-19) e a morte de Herodes Agripa I, que havia dado início à perseguição que resultou na prisão de Pedro (12.20-23). Aqui também Lucas apresenta o resumo da transição: “A palavra do Senhor crescia e se multiplicava”. (12.24)

O episódio apresenta o ápice e final da missão de Pedro no livro de Atos e marca também o fim da primeira etapa da história da igreja em Jerusalém e no mundo judaico.

Alguns princípios que podemos retirar desse texto são:

(i)                 Nutrir um coração correto e uma atitude correta, mesmo em meio a dificuldades;

“Que ninguém de vocês sofra por ser assassino ou ladrão, malfeitor ou delator. Todavia se alguém sofre como cristão, não se sinta envergonhado; ao contrário, glorifique a Deus por levar o nome de cristão”.

Ilustração: Há o exemplo do pastor iraniano que foi sentenciado à morte por aderir à fé cristã;

Aplicação: Os tempos atuais são tempos também de se cuidar da alma, da espiritualidade, pois é preciso preparo até para viver a vida.

Todo o ser humano já sofreu, sofre ou sofrerá em menor ou em maior escala. Se tal sofrimento for merecido, do que reclamar? Senão, ainda assim a Bíblia nos orienta a que glorifiquemos a Deus, que está no controle e que devemos render-lhe glória.

(ii)               Deus é soberano para intervir em nossas vidas;

Deus é soberano para intervir em qualquer situação, quer de maneira que muitos de nós julguemos naturais ou de mera contribuição da ciência, ou por milagre.

Ilustração: À nossa disposição para nos ajudar, temos a medicina, líderes espirituais, clássicos da literatura, ações de homens e mulheres iluminados por Deus na história, além é claro do inexplicável, da obra de direta de Deus.

Aplicação: Procuremos ser humildes e reconhecê-lo em nossas vidas.

(iii)             Deus não permite que roubemos a sua Glória;

Ilustração: Quantos poderosos sucumbiram diante do sofrimento? Quantas pessoas se ensimesmaram e pereceram? Quantos acumulam riquezas, mas não detêm as dores, as doenças, que dirá a morte?

Aplicação: Conheçamos mais a Deus em amor e temor, pois esta é uma das agendas para nossa geração;

Peçamos ao Espírito Santo que nos comunique o caráter e essência de Deus;

Peçamos a Deus que nosso amor diante dEle seja verdadeiro. 

(iv)              Todas as classes são afetadas pela realidade da vida, ou, para Deus não há classes.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Notícias do Nepal

Queridos amigos e irmãos,

Finalmente depois de tanta correria aterrizamos, rsrs. Desde novembro vínhamos com muitas atividades, mas o mais puxado foi em janeiro, pois aproveitamos a vinda de alguns brasileiros para irmos às vilas. Deus tem usado muito eles para abençoar o povo nepali e a nós brasileiros que estivemos com eles. Pena que já estão voltando pro Brasil, mas louvamos a Deus por terem estado aqui, pois foi um tempo de renovo e encorajamento.

VILA KAVRE – Esta é a vila que falei no último e-mail, que uns dois anos atrás o pastor faleceu, mas que pela garra e disposição de sua esposa e filho mais velho, o trabalho tem continuado naquela vila tão simples e com dificuldades. Nós fomos lá no inicio de janeiro, onde ministramos durante o dia para a igreja em geral, depois para as crianças e no final para os lideres, com palavras de encorajamento e orando. Fomos recebidos com colares de flores naturais, que significam boas vindas e ao mesmo tempo nos honrando. Me senti no Havaí!

POKHARA - Do dia 18 a 25 de janeiro estivemos em Pokhara, cidade próxima as cordilheiras do Himalaia, há 200km da capital. Ministramos lá num orfanato, numa escola bíblica, para as mulheres da base da Jocum e estivemos por dois dias realizando o tão sonhado e esperado campeonato de futebol num monastério budista, dentro de um campo de refugiados tibetanos – que experiencia! Segundo nossa colega, M. Márcia, há 16 anos tem orado para Deus abrir as portas pra ministrar lá dentro, no entanto sempre estiveram fechadas, mas finalmente, após muitos anos de oração, tem surgido a oportunidade de entrarmos lá através do futebol. Deus, no seu tempo, responde as orações!

O monastério, como podem ver na foto acima, é muito grande, tendo 80 crianças e jovens, fora os monges e voluntários que ajudam lá. Precisava ver a alegria dessas crianças e jovens com a nossa chegada. As partidas de futebol foram uma grande festa para eles, até mesmo para os oito jovens que disputaram o campeonato jogando com chinelos, por falta de chuteiras ou tenis. O campo era de chão duro, ou seja, sem nada de grama e com muitas pedras. A cada pouco se via um chinelo voando pelo campo. Se sobrou unha não sei. Eu nunca tinha visto ninguém jogar futebol de chinelo.

No último dia quando viram os troféus e medalhas os olhos enxeram e ai mesmo que todos deram o melhor de si na intenção de ganhar o jogo, mesmo jogando com chinelos. O final foi só festa e alegria, até mesmo para o 2º lugar, pois pelo jeito nunca tinham disputado uma partida de futebol assim, tendo premiação e tudo mais. Nós como equipe nem podíamos pensar em compartilhar o evangelho naquele lugar, mas só pelo fato da nossa presença com certeza algo grande e especial aconteceu no mundo espiritual, pois Deus diz em sua palavra: "Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés."(Josué 1:3). Oramos muito antes de entrarmos lá e sei que muitos dos nossos contatos também estiveram orando. Certamente algo Deus fez e continuará fazendo naquele monastério. É de cortar o coração ao olhar para aquelas crianças e jovens – Se percebe uma grande carência entre eles. Eles pediram que sempre que quisermos podemos voltar lá –as portas realmente estão abertas! A história deles é muito triste, pois foram expulsos do seu país, não podendo retornar. Isso segnifica muito mais que a renúncia do país em si, mas dos parentes e amigos que lá ficaram.

A BELEZA DE POKHARA – Pokhara é um lugar turístico, muito bonito, inclusive muitos vão lá para verem os himalaias, que é realmente de tirar o folego. Essas fotos bati de manhã cedo, antes e depois do nascer do sol. Muito, muito bonito!!!

VILA CHAKCU – Depois de Pokhara fomos para a vila Chakcu, quase divisa com Tibete. É um dos lugares mais interessantes que já vi. Aos olhos humanos jamais seria possível construir casas nos penhascos como tem lá. Não tem nada de plano, somente penhascos e mais penhascos, mas mesmo assim tem casas por todos os lados. As casas não tem quintal, e como seria possível naquelas pirambeiras? Então as ruas estreitas, que seriam mais para os carros e pessoas circularem, servem para tudo – se vê pessoas trabalhando, mulheres lavando roupas, crianças brincando, vacas, cachorros, cabras e galinhas, todos enfim na rua, usufruindo-a como se fosse quintal.

ATIVIDADES – Além das ministrações na igreja, inclusive para os casais e evangelistas, que foi uma benção, nós realizamos lá também um campeonato de futebol com 140 crianças da escola local, mas somente os mais velhos que jogaram; times de meninos e meninas, enquanto que os menores ficaram na maior torcida e pelo menos meia dúzia tiveram a dura tarefa de gandulas, buscando as bolas que caiam ribanceira abaixo. Ainda bem que tínhamos três bolas, pois demoravam muito para subirem dos altos penhascos. Teve dois times de adultos também, pois queriam jogar de todo jeito, porém os prêmios foram somente para as crianças, já que o campeonato era para elas.

O CAMPO – Um dia antes do campeonato algumas pessoas nos convidaram eufóricas para conhecermos o lugar onde seria o campo para o campeonato. Fomos até aonde deu de carro e depois atravessamos uma pinguela e andamos e andamos morro acima. Quando chegamos perto de uma morro não podíamos acreditar, pois uma máquina estava lá, numa ribanceira escavando, tentando aplainar o local, onde seria o campo. Nós olhamos um para a cara do outro, como quem diz: campo de futebol aqui? A máquina estava trabalhando o dia todo e foi noite adentro, tirando terra e pedras. Nos explicaram que nunca tinham realizado um campeonato de futebol naquele lugar, por isso o “Projeto de Desenvolvimento Social” daquela vila ficou tão feliz que doou aquele pedaço de terra para fazerem o campo.

No dia seguinte não víamos a hora de chegarmos lá, pois ainda não acreditávamos que naquela ribanceira teriam conseguido fazer um campo, mas para a nossa surpresa tinham conseguido! Apesar que ficou pequeno e com bastante pedras, mas para eles era igual ou melhor que o Maracanã, rsrs. Isso ministrou muito meu coração, de ver a gratidão que eles tem pelas coisas pequenas e simples. Ah, detalhe, uma grande pedra ao lado do campo serviu de vestuário; e como serviu!

A FESTA – Gente, a festa de encerramento foi na escola com uma grande cerimonia – foi lindo de ver, algo oficial mesmo, com as autoridades presentes e tudo mais. No final entregamos os docinhos para as crianças e foi tudo muito lindo, principalmente ao vermos tantos rostinhos felizes - Deus seja louvado!

UM HOTEL DIFERENTE – O pastor que nos levou a Chakcu nos disse que havia feito reserva para nós no melhor hotel. Chegamos em Chakcu já era bem escuro. Com ajuda de outras pessoas tiramos as malas e várias caixas, pois só de lembrancinhas para as crianças eram 200 pacotinhos de doces. Fomos acompanhando os que nos ajudavam e achamos estranho, pois fomos subindo uma escada que dava numa pinguela e não se via mais nada, somente barulho de água e a pinguela balançando de um lado para o outro. Depois de muito andar chegamos em terra firme, na entrada do hotel. Uma entrada muito bonita, com muitas árvores e flores. Até ali tudo bem, mas o duro foi quando atravessamos a recepção, indo para os nossos quartos – quartos? Na verdade não eram quartos, mas barracas de lona, no meio do mato. Não sabíamos se riamos ou se chorávamos. No Nepal tem muitos bichos ferrozes, como tigres e leopardos, então como dormiríamos em paz pelas próximas três noites, em barracas de lona, dentro do mato? Sem contar que minha colega se visse uma aranha era desmaio na certa, rsrs. Mas eu estava tão cansada da viagem que dormi, acordando de manhã, pensando que estava na Arca de Noé de tantos bichos e aves que ouvia. Na hora que fomos para as ministrações e tínhamos que passar pela pinguela, vimos então o quão longa e alta era: 160m de comprimento e 160m de altura. Todos os dias tínhamos que passar por ela, e a noite encarar os quartos no meio do mato. Então, se você quer se hospedar em um hotel diferente, venha para Chakcu, mas não esqueça de trazer uma espingarda; você poderá precisar dela, rsrs

VILA PALUNG - Encerramos nossas atividades na vila Palung, há três horas da capital, ministrando sobre liderança para os lideres de 17 diferentes igrejas. Alguns lideres tiveram que andar a pé por três horas pelas montanhas para chegarem no seminário. Essas igrejas eram bem divididas, mas graças a Deus muitas barreiras já foram quebradas, trazendo mais união entre eles, inclusive o seminário foi com este objetivo; fortalecer a união entre eles.

Louvamos a Deus por cada lugar que estivemos, onde muitas pessoas foram tocadas através das ministrações, até mesmo com o futebol, pois se pode ensinar muitos princípios bíblicos através dele. “Grandes coisas fez o SENHOR por nós, por isso estamos alegres.”(Sl 126:3). A Deus toda a honra e toda a glória! Sem ELE nada seria possível!

Muito obrigada a cada um de vocês que estiveram orando, contribuindo ou dando palavras de encoramento. Junto formamos a Grande Comissão. Junto fazemos muito mais!
Um grande abraço a todos
Com carinho e gratidão,
Malu - Nepal